História de João Batista Correia Teixeira Falcão.

Chegamos com mais uma história especial.

Essa têm duas situações que se destacam quando a ouvimos: nosso personagem nasceu predestinado para ser um vencedor e também que o inesperado aconteceu durante o seu tratamento.

Mas antes vamos conhecê-lo um pouquinho?

João Batista Correia Teixeira Falcão, tem 16 anos, é de Aquidauana no Mato Grosso do Sul (MS). Mora com o pai, Adailton Teixeira Falcão, 59 anos que trabalha como barbeiro e cabeleireiro. Tem uma irmã com 13 anos que se chama Bárbara Zeli que mora com a avó. Sua mãe que se chamava Keila Delgado Correia, faleceu há 3 anos, a qual é descrita por pai e filho como uma mãe e esposa íntegra, companheira, dedicada e lutadora. Que tinha a família como o bem mais precioso. Ao ouvirmos sentimos o respeito, o amor e o carinho quando falaram sobre ela… a saudade ainda paira forte no seio da família…

João Batista se considera bastante ocupado porque está sempre com a sua agenda cheia de compromissos. Não é para menos: Sai as 6 horas rumo à escola; depois segue ao local de trabalho do pai para almoçar junto; volta para a escola para fazer reforço de todas as matérias.

Em 2017 foi liberado pelos médicos para praticar esportes de que gosta muito, por isso joga handebol, futsal, e basquete, diz que pretende participar de algum campeonato e quando sobra um tempinho dá uma de esqueitista que é o seu esporte preferido. Acabou? Não! Tem mais.

A lista segue: ajuda na limpeza da sua casa; toca violão na igreja que frequenta; cria poemas e adora desenhar o que sente no momento e assina todas as suas criações registradas em cadernos que guarda para mostrar aos amigos e familiares.

Tudo começou quando tinha 2 anos, morava em Aquidauana (MS) e teve uma febre alta, com uma suspeita de pneumonia, ficando internado por 44 dias, mas o antibiótico não fazia efeito.

Foi encaminhado à Santa Casa na capital de Campo Grande (MS), onde realizou exames e recebeu o diagnóstico de ‘bexiga neurogênica’ que trata-se de uma disfunção da bexiga urinária. Seus dois rins estavam paralisados. Fez um reimplante do rim para que a bexiga pudesse funcionar. Teve que usar uma bolsa de colostomia por 7 anos, tirando-a em seguida para passar a utilizar uma sonda definitiva por 1 ano. Depois entrou com uma sonda de alívio a qual utiliza até hoje de 3 em 3 horas.

Perguntamos se esse processo de alívio de 3 em 3 horas não o atrapalha, incomoda, não se tornou um fardo ou se quebra a sua rotina de alguma forma e o mesmo disse que não, que é um processo automático. Como algo rotineiro ou uma necessidade como por exemplo de se alimentar, escovar os dentes ou dormir.

Todo esse processo foi até seus 8 anos de idade. Certo dia, foram à igreja como de costume e, ao subir uma escada, sentiu-se tonto e desmaiou. Na hora foi socorrido por uma senhora, enfermeira experiente e frequentadora da igreja que percebeu alguns primeiros sinais e sintomas que assemelhava-se a um quadro de leucemia. O pai relata e descreve como a pessoa certa na hora certa ou um anjo enviado por Deus ou uma providência divina.

Seguiu ao hospital de Aquidauana (MS), permanecendo internado por 80 dias. Como não chegaram a nenhum diagnóstico, foi encaminhado para um hospital de Campo Grande (MS) onde recebeu sangue e plaquetas por existir a suspeita de leucemia.

Fez exames da medula e não acusou nada. Na segunda e terceira tentativas a anestesia não pegou. Na quarta tentativa, foi encaminhado à UTI, para receber a anestesia geral e prosseguir com o exame da medula e enfim o diagnóstico: Aplasia da Medula Óssea. Trata-se de produção insuficiente de células sanguíneas, obrigando o paciente a receber transfusões para controlar a anemia e a baixa quantidade de plaquetas. Isso levou cerca de 46 dias no hospital.

Em seguida foi liberado para casa, permanecendo por uma semana mas, de 15 em 15 dias voltava ao hospital porque tinha hemorragia constantemente. De acordo com o pai foi uma saga de durou cerca de 2 anos entre Aquidauana e Campo Grande (MS).

Nesse período de idas e vindas, João Batista recebeu uma medicação com o objetivo de dar um “choque”, esse foi o termo utilizado pelo paciente, na medula para provocar o aumento de plaquetas o que provocou 3 reações físicas graves.

Sem efeito e diante de um quadro clínico crítico e delicado, foi encaminhado ao Hospital de Clínicas de Curitiba (HC), quando contava com 12 anos. Chegou com seu pai e sua mãe, ocasião em que o Serviço Social do hospital contatou com o Serviço Social da APACN para permanecerem durante o tratamento do João.

No dia seguinte retornaram ao HC de Curitiba para iniciar os exames e a procura de doador compatível. Infelizmente ninguém da família era compatível. Enquanto isso João seguia recebendo sangue e plaquetas.

Pai e filho relembram de uma infeliz experiência de que em um desses procedimentos o João “apagou”, sendo levado para outro andar para um diagnóstico final. Segundo o pai o clima era de total desesperança até que repentinamente João acordou confuso e perguntando onde estava. Permaneceu por 2 dias em observação e o inesperado aconteceu: Suas plaquetas subiram estrondosamente. Foi liberado para vir na APACN e depois de 5 dias voltou ao HC e suas plaquetas continuavam a aumentar.

Recebeu alta. Foi para casa, retornando ao HC depois de 2 meses onde constataram que suas plaquetas e imunidade subiam, a anemia estava controlada e o diagnóstico? O organismo estava reagindo e a possibilidade de transplante de medula fora descartado. Pois é. Lembram no começo da história que escrevemos que o inesperado aconteceu no seu tratamento?

João não esperava que a vida lhe apresentaria mais um duro baque e que não seria sobre a sua saúde. Sua mãe, com apenas 30 anos, que ficou firme ao seu lado para não sobrecarregar o pai que tinha que trabalhar para garantir o sustento da família, foi vítima de um infarto fulminante. Tudo aconteceu na sua frente e ele é que teve que dar a notícia à família. Lembram também, no começo da história que escrevemos que o nosso personagem nasceu predestinado para ser forte?

Quando o pai ouviu esses relatos, não conteve as lágrimas. Não poupou agradecimentos ao Deus que acredita. Sentimos a gratidão e a emoção desse pai que se manteve firme ao lado do filho, desde que sua esposa partiu.

Encerramos essa história, com as palavras que o próprio pai diz ao falar do seu filho: de que o João foi escolhido para nascer e ser um lutador, um vencedor e muito abençoado.

João Batista Correia Teixeira Falcão (sentado) com o pai Sr. Adailton Teixeira Falcão.